Wednesday, June 28, 2006

Escolhas

A vida é feita de escolhas, algumas fáceis, outras nem tanto. Acho que uma das piores escolhas consiste em optar entre a razão e a emoção. Como podemos escolher algo contrário às nossas emoções, somente porque nos parece mais acertado? Escolher uma cor, um modelo, um tamanho, tudo isto é muito fácil; um filme, uma comida, a roupa do dia, a escolha pode até ser precedida de alguma dúvida. Mas escolher entre a razão e a emoção é algo que exige requisitos como a abnegação, o altruísmo, a coragem e, finalmente, a atitude. A pergunta é: até que ponto devemos aceitar situações contrárias aos nossos sentimentos e valores em nome de um grande amor? Acredito que cada pessoa tenha um limite, embora algumas pareçam ilimitadas. Mas quando uma pessoa ultrapassa seus próprios limites, situações que num primeiro momento deveriam ser prazerosas, passam a ter o peso de um fardo sobre os ombros, o qual, na maioria das vezes, não conseguimos carregar sozinhos. A partir disto, os resultados podem ser diversos. Num primeiro momento, ao carregar um fardo que não aguentamos, podemos nos cansar em demasia ou, pior, nos machucarmos muito, chegando inclusive a gerar em nosso organismo as chamadas doenças psicossomáticas, que nada mais são do que o transbordar involuntário de emoções/sentimentos reprimidos. Numa outra hipóstese, dentro de um relacionamento, por exemplo, quando o fardo está muito pesado, tentamos, mesmo que de forma inconsciente, responsabilizar o parceiro e fazê-lo carregar, no todo ou em parte, o nosso próprio fardo. Estabelecido o problema, chega um momento na vida em que você precisa escolher entre aquele que você considera seu grande amor (emoção) e o seu próprio equilíbrio físico e psíquico (razão). A decisão é extremamente difícil, mas o EU deve prevalecer. É a velha explicação do estado de necessidade: somos dois náufragos com uma só bóia em alto mar. O ideal seria achar um meio termo para os dois se salvarem. Mas se um dos dois não cooperar, cedendo uma parte, somente haverá uma opção - um ou outro ao invés de nós.

Wednesday, June 14, 2006

Mentiras Sinceras NÃO me interessam

Pessoas mentem às vezes. Mas há pessoas que mentem muito, compulsivamente. Mentem como se estivessem falando a mais pura verdade, capazes até de criar variações das suas próprias mentiras. Na verdade, parece que acreditam no que estão dizendo, ou seja, mentem para si mesmos. Fico me perguntando porque será que fazem isso e consegui pensar em três hipóteses a serem consideradas:
1) Medo de não ser aceito(a) pelos outros
2) Negação do próprio eu, vontade de ser melhor do que é
3) Maldade, dolo
Às vezes fazemos coisas pelas quais sabemos que seremos mal vistos ou até mesmo punidos. É difícil assumir um erro, pois suas consequências podem abalar nossos sentimentos mais profundos. Mas às vezes fazemos coisas normais, banais, mas que simplesmente não passariam pelo nosso "controle de qualidade", ou seja, acreditamos que se outro fizesse, certamente seria reprovado. O problema é que se escondemos ou mentimos por algo, será necessário dar continuidade ao processo, porque uma mentira ou omissão sempre tendem a aparecer. Isto é fato! Sempre terá alguém que conhece a verdade dos fatos, mesmo que sejamos nós mesmos. E, puxa!, como é difícil conviver em paz com a nossa consciência sabendo que a qualquer momento alguém pode nos descobrir, nos desmascarar. O pior é quando nós mesmos não conseguimos aceitar o que fizemos e isso nos faz perder o sono, a fome, o tesão... O pior juiz é a nossa própria consciência, não é mesmo?
Pior ainda é quando mentimos apenas por diversão, por vaidade. Tem gente que mente tanto que acredita viver no mundo que inventa, p.ex., o pobretão que diz ser milionário e se veste e se comporta como tal, o homem que trai a mulher e conta imprevistos absurdos para justificar as pistas encontradas.
Leiam esta matéria sobre "As 10 mentiras que os homens mais contam":
Enfim, mentir é fácil, o difícil é manter a mentira com todas as suas verdades.